Pé na Porta com Apanhador Só – Parte 2

Parte 2 da matéria sobre o lançamento do Acústico-Sucateiro da banda Apanhador Só, dia 28/04 no Ocidente .

Texto: Lola Sartori
Foto: Caroline Frantz

Foto: Caroline Frantz

Com o Ocidente lotado, a Apanhador Só dá início ao show de lançamento do disco Acústico-Sucateiro, às 23:20h da noite quente de quinta-feira (28). Talvez pelo clima aconchegante do palco (foi montada uma sala de estar) ou pela expectativa dos novos arranjos, mas o fato é que a receptividade do público surpreendeu. Em meio a ralador, caixa de fósforos, conduíte, lata de rolo de filme, a conhecida bicicleta e outras sucatas, a banda inova com as canções tão bem feitas também na versão acústica. Sim, pois o novo disco, como dito na entrevista (http://migre.me/4pDKD), conta com nove faixas do primeiro cd e a inédita Na Ponta dos Pés.
A primeira música escolhida foi Nescafé e a subsequente, Prédio, estavam na ponta da língua de todos os presentes, que começaram o show bem empolgados. Ouvir a voz do Alexandre Kumpinski era algo difícil (principalmente para quem estava no mezanino, assim como eu), pois o Ocidente transformou-se em uma só voz.
Em Jesus, O Padeiro e O Coveiro, contou com a participação do músico e produtor Marcelo Fruet (que produziu o primeiro disco da Apanhador Só e masterizou o acústico), que na minha opinião, ficou melhor que a versão plugada, principalmente por ter utilizado o tecladinho de brinquedo, o qual fez toda a diferença. Logo depois, veio Pouco Importa uma das mais (se não a mais) conhecida música da Apanhador, igualmente impecável.

Foto: Caroline Frantz

Com ralador, panela, violão, cumbuca e pilão, Vila do 1/2 Dia virou uma verdadeira roda de samba, com direito a casais dançando juntos e o público uníssono no “Laiá, laiá, laiá…”. Depois do samba de Vila do 1/2 Dia, foi a vez de Maria Augusta surpreender. No início o arranjo era o mesmo, mas na metade da melodia houve umas paradinhas e partes da letra sendo faladas. Quando eu pensei que não teria mais como me espantar com a criatividade desses meninos (sim, meninos, pois eles têm só vinte e poucos anos!) eles mostraram que possuem uma capacidade ímpar para se reinventar. O que me lembrou a influência do Bob Dylan que o Alexandre comentou na entrevista que tinha. A batucada de Balão de Vira Mundo impressiona pela precisão da batida e Ramão deixa claro que uma gaiola de pássaros pode fazer toda a diferença. Bem-me-Leve, Na Ponta dos Pés (com a participação de Rafael Penteado tocando um isqueiro) e Descoloriu foram de tamanha delicadeza e sensibilidade que é capaz de emocionar qualquer pessoa. Já em Tom Zé o público acompanhou com palmas e alguns poucos casais dançando como se estivessem num forró. A música mal terminou e algumas moçoilas animadas pediam Damas, pedido feito e aceito. Porém, como estávamos num clima de sucata, os instrumentos da vez foram fita adesiva, cantoneira, sineta, pandeirola e um rádio dando notícias. É incrível como tudo encaixa perfeitamente nas melodias. A próxima foi E Se Não Der? uma baladinha gostosa de se ouvir tocada com cumbuca e pilão, antecipando Peixeiro que levantou o público com sua sacola de supermercado, móbile de chaves e vuvuzelinha. Por fim, com latão, trompetinho, saca, ovinho, ralador, a música mais aguardada da noite – Um Rei e o Zé – levou o Ocidente abaixo e botou todo mundo pra sambar.
        Se a proposta da Apanhador Só foi buscar nas sucatas uma maneira contemporânea de se expressar e se reciclar, tenho certeza que eles conseguiram isso com o Acústico-Sucateiro. Eles fazem parecer simples tocar uma gaiola de pássaros e encaixar o noticiário do rádio com a melodia da música. O que para muitos é descartável, esse quarteto porto-alegrense transforma em arte.

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Sobre venetacoletivo

Veneta, que significa ideia repentina, dar na telha, ou, como diz a expressão pupular, dar na veneta, é uma assessoria de produção e articulação cultural. Atua sobre projetos das mais variadas vertentes, enaltecendo a qualidade e diversidade da cultura regional.
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Uma resposta para Pé na Porta com Apanhador Só – Parte 2

  1. Petracco disse:

    Boa, Lola!

    Rateei em não ter ido… A Apanhador é demais!

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