O futuro da economia da cultura

Texto: Ricardo Rodrigues

Fotos: Divulgação

A última reportagem da série apresenta um panorama para o futuro, destaca iniciativas de fomento ao setor e traz dados que demonstram o consumo das famílias brasileiras e o número de espaços culturais.

Para um setor cujas estatísticas ainda são incipientes, até mesmo sobre o que acontece no presente, traçar uma linha para o futuro, nesse sentido, é inviável, conforme explica Ana Carla. A economista reconhece, por outro lado, que a atenção empregada ao assunto nos últimos anos proporciona uma luz de positividade para o setor. “Percebemos hoje um maior interesse e reconhecimento acerca da economia da cultura. Basta imaginar que, há seis ou sete anos, esta pauta não estaria ocorrendo”, conta.

No início de seu trabalho no campo, em 2000, o assunto era desconhecido principalmente por economistas, mas houve uma grande conscientização sobre a relevância da cultura como agente econômico. “É preciso tomar a devida cautela para que o assunto não seja associado a modismo, e sim tenha um embasamento conceitual, estatístico e econômico sólido”, salienta

As iniciativas de fomento são importantes, mas é preciso que todos os setores das cadeias produtivas entendam o seu potencial de desenvolvimento. “Tem desde os agentes culturais que reconhecem a economia e sabem que vivem em uma sociedade capitalista. Mas ainda existe uma parcela de artistas que preferem apenas criar, e buscam agentes para vender. Existe a percepção ‘nenhum capitalista vai colocar a mão na minha arte’. Temos que trabalhar, também, com a comunidade cultural para que se tornem também empreendedores”, afirma Ana Carla.

No contexto de estimular por meio da capacitação, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi a primeira instituição de ensino no País a oferecer um curso de especialização inteiramente dedicado à economia da cultura. O curso tem no seu corpo docente profissionais envolvidos com diversas áreas da cultura, como a literatura, entre eles Luis Augusto Fisher e Donaldo Shuller, ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre.

O que está tramitando no congresso em favor da cultura

Atualmente, uma série de projetos direcionados à cultura tramita no Congresso. Abaixo, um resumo do que deverá entrar em votação.

PEC 150/2003: Atualmente aprovada na Comissão Especial e na Mesa da Câmara para ser votada em plenário, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 150/2003) é uma iniciativa de todos os partidos que integram a Frente Parlamentar Mista da Cultura, que estabelece um piso mínimo de 2% do orçamento federal; 1,5% do orçamento estadual e 1% do orçamento municipal para a cultura.

Plano Nacional da Cultura: Define as diretrizes para as políticas públicas de cultura para os próximos dez anos. É o primeiro planejamento de Estado no campo cultural cujas diretrizes e metas foram debatidas com a sociedade de forma mais ampla.

Cultura como Direito Social: o projeto prevê que a cultura seja reconhecida como direito social na Constituição Federal.

Fundo Social do Pré-Sal: O projeto estabelece que uma parte dos recursos arrecadados com a exploração de petróleo na camada de Pré-Sal seja destinada à cultura, bem como para ações de combate à pobreza e de estímulo à ciência, tecnologia, educação e preservação do meio ambiente.

Estabelecimentos e eventos culturais no RS

O relatório Cultura em Números 2009, organizado pelo Ministério da Cultura, fez um levantamento, entre outras questões, do número de estabelecimentos culturais e eventos específicos em cada região do país. Abaixo os dados relativos aos principais segmentos culturais no Rio Grande do Sul.

Cinema: entre os estados do sul, o Estado aparece em primeiro lugar, com 139 salas. Na contagem geral, está na quarta posição, atrás de São Paulo (722), Rio de Janeiro (280) e Minas Gerais (192).

Teatro: por região, o Rio Grande do Sul aparece em segundo lugar, com 76 salas de teatro. Em âmbito nacional aparece em quinto, atrás de estados como (306) e Rio de Janeiro (231).

Música: no percentual de estados que realizam festivais e eventos de música, o Estado ocupa a oitava posição, com 46,17%. Entre os que apresentam grupos ou bandas, figura em décimo primeiro lugar, com 56,45%.

Literatura: De acordo com a pesquisa, o Rio Grande do Sul está em primeiro lugar no que se refere a realização de feiras do livro. Com relação ao número de livrarias, o Diagnóstico do Setor Livreiro, realizado pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) e divulgado em agosto, apurou que no Rio Grande do Sul há 238 empreendimentos. Em São Paulo, o número registrado foi de 864.

Artesanato: Das atividades artesanais executadas no Brasil, o bordado responde por 75,45% de participação nos municípios. Atividades com barro aparecem em segundo (21,48%) e couro em terceiro (9,40%).

Consumo das Famílias Brasileiras

Os dados de pesquisa realizada Pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) apontam que 40% da parcela mais pobre dos brasileiros respondem por 10% os gastos com cultura, enquanto os mais ricos gastam 40% do orçamento cultural no País. A região Sul responde por 16,2% do consumo familiar de cultura, atrás apenas da região Sudeste, que concentra 58,9%. Os produtos culturais mais consumidos são o audiovisual (cinema, tevê aberta e paga, vídeo, fotografia) com 43% nas classes A e B, 39,4% na C e 40,1% nas classes D e E. As classes A e B direcionam gastos de 17,4% à informática, 17,1% à leitura, 9,2% à indústria musical e 7,3% às artes e espetáculos ao vivo.

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Sobre venetacoletivo

Veneta, que significa ideia repentina, dar na telha, ou, como diz a expressão pupular, dar na veneta, é uma assessoria de produção e articulação cultural. Atua sobre projetos das mais variadas vertentes, enaltecendo a qualidade e diversidade da cultura regional.
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