III Congresso do Circuito Fora do Eixo discute artes integradas

Etapa Regional Sul reuniu coletivos e artistas em Santa Maria

Texto: Ricardo Rodrigues – Fotos: Macondo Coletivo/Divulgação

Ocorreu entre os dias 19 e 22 de agosto, em Santa Maria, na sede do Sesc, o III Congresso do Circuito Fora do Eixo – Etapa Regional Sul. A série de encontros entre coletivos e artistas do sul do Brasil e de outros países teve como objetivo promover uma rede de trabalho unificada e fomentar a circulação das artes integradas. Organizado pelo Macondo Coletivo, o resultado das discussões deste final de semana servirá como estímulo para a etapa nacional, que será realizada entre 10 e 17 de outubro, em Uberlândia, Minas Gerais.

Na sexta-feira, o encontro foi aberto com uma apresentação de cada coletivo participante. Estavam presentes, entre eles, o coletivo Satolep de Pelotas, o Veneta de Porto Alegre e o Sintomática de Buenos Aires, que tem o artista Gomez na coordenação do projeto. Para Lúcia Dalmaso, uma das organizadoras do evento, “o congresso foi um momento para encontrarmos e aprofundarmos a relação com os coletivos que já conhecíamos e descobrir novos parceiros para a constituição da nossa rede Sul e América Latina”, disse.

Conversas cruzadas

O primeiro painel abordou as redes de colaboração, movimentos culturais e o Circuito Fora do Eixo. Durante a tarde, as moedas sociais, economia solidária e dinâmica das redes esteve em pauta. Durante a noite, a descontração foi marcada pelo show das bandas Rinoceronte, de Santa Maria, e Canastra Suja, de Pelotas, no Macondo Lugar.

No sábado, as principais pautas foram a cobertura colaborativa e a circulação da arte. Os mediadores Andressa Quadro e Atílio Alencar apostaram na integração com agentes externos para um jornalismo amplo e diversificado. “O objetivo é criar discussões sobre o processo de comunicação e de que forma isso está à serviço do universo independente”, afirmou Alencar. A experiência de cobertura no festival Macondo Circus, em 2009, originou o núcleo de comunicação do coletivo. “É uma prática que expande o ato da comunicação institucional”, salienta Andressa, explicando que a cobertura colaborativa não deve ser confundida com a integrada. “A primeira conta com diversos colaboradores em torno de um único canal de difusão, enquanto que a segunda compreende colaboradores de diversos canais em um único evento”, explica.

Andressa e Atílio (direita) na mediação do painel sobre cobertura colaborativa

Sobre produção, distribuição e circulação das artes integradas, discussão mediada por Claudia Schulz e Paulo Noronha, o objetivo foi apresentar histórias e sugerir alternativas viáveis para escoar a arte. Noronha citou o exemplo da turnê realizada pela banda Rinoceronte por 14 cidades brasileiras. “O acordo previa que não ganharíamos nada, mas também não gastaríamos nem um centavo”, conta. O resultado foi um aumento expressivo na busca pelo trabalho da banda em redes sociais, conquistando uma parcela de público “que, se não fosse dessa forma, talvez não tivéssemos”, explica. Outro exemplo foi citado por Elias Maroso, que atua na produção de exposições da Sala Dobradiça, espaço existente no Macondo Lugar. “Exposição na web é um modelo que não requer quase nenhum custo e faz a arte circular”, aponta.

Gomez, do Coletivo Sintomática, o qual realizou show na noite de sábado, antes dos rapazes da banda paulista Garotas Suecas, reiterou a importância da circulação e do exemplo citado por Maroso. “Esse processo, quadro na parede e luz, é antigo”, e diz que “o artista tem que buscar novos formatos”.

Conforme enfatiza Lúcia, “a partir dos relatos dos grupos e coletivos foi se desenhando uma agenda de festivais e roteiros para a circulação das artes integradas. Já foi possível mapear, a partir dessa troca de informações, os festivais Morro Stock, Demo Sul, Sintomática, Festmalta, Macondo Circus, Fetism, Satolep e Grito Rock”. A organizadora finaliza, destacando que “o Congresso significou o início da constituição de uma verdadeiro circuito de colaboração e trabalho conjunto entre os coletivos e pontos Parceiros”.

Sobre o Congresso

É uma das maiores ações da rede Circuito Fora do Eixo, e seu histórico demonstra a capacidade mobilizar grupos para discussão e criação de mecanismos dinâmicos de atuação na área cultural. Os intensos debates originaram a Carta de Princípios e o Regimento do Circuito Fora do Eixo, além de referenciarem o evento como um indicador da força desta rede.

Fundado em 2005 por coletivos independentes de MT, PR, AC e MG, o Circuito Fora do Eixo tornou-se um movimento legítimo da cultura brasileira, apostando em empreendimentos coletivos cada vez mais crescentes na cadeia produtiva cultural, por meio da música independente. Hoje conta com 50 coletivos e com representantes em todos os estados brasileiros, trocando tecnologias e conhecimentos.

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Sobre venetacoletivo

Veneta, que significa ideia repentina, dar na telha, ou, como diz a expressão pupular, dar na veneta, é uma assessoria de produção e articulação cultural. Atua sobre projetos das mais variadas vertentes, enaltecendo a qualidade e diversidade da cultura regional.
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Uma resposta para III Congresso do Circuito Fora do Eixo discute artes integradas

  1. Olá pessoal….

    Infelizmente não pude participar presencialmente, mas quero parabenizar toda construção desta rede regional que está se consolidando no sul do Brasil e que poderá atraves da união de forças fisicas e intelectuais se trasnformar numa grande cadeia produtiva cultural e de articulação de uma politica publica consistente e organizada.

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